O Morar e o se Apaixonar nas Cidades

Atualizado: Mar 12


Estariam nossas cidades desencorajando o sucesso em relacionamentos sólidos?

Lugares cheios de pessoas vazias de interesse pelos que estão à sua volta e sem a menor vontade de parar para respirar não parecem mesmo propiciar encontros pessoais. E o amontoado de pessoas sempre apressadas, em locais barulhentos e sem qualidade espacial, realmente gera uma imagem que de romântica nada tem.

Essa foi uma preocupação descrita por Amanda Hess, em seu artigo “Is Your City Making You Single?” - traduzindo: “Sua Cidade Faz de Você Solteiro(a)?”. Amanda é uma editora e escritora que vive em Los Angeles, onde constatou as diferenças entre relacionar-se na atual cidade e viver um romance na cidade de Washington DC.

Fundamentalmente, pode-se perceber que o que diferencia ambas as cidades é que Washington DC, ao contrário de Los Angeles, tem a capacidade de promover encontros.

Em Washington DC - Amanda constatou - as pessoas encontram-se nos mesmos bares e relaxam nos mesmos cafés, uma semana após a outra. Isso significa que os relacionamentos permitem-se desenvolver de forma mais natural. Ao contrário do anonimato em Los Angeles, em Washington DC verificou-se ser fácil estabelecer algum laço de amigos ou familiares em comum com as ditas pessoas conhecidas.

As extensões de rodovias e metrôs em Los Angeles, além de suas escalas urbanas não-humanas, caminham na contra-mão da criação de espaços mais bem delimitados, mais acolhedores, mais intimistas. É preciso ter claro que não se trata de minimização de tamanho e ou de quantidade, afinal Washington é uma cidade de mais de 170 km² e seu número de habitantes ultrapassa os 5,5 milhões.

Também não se fala sobre modernidade ou relações entre cheios e vazios. Washington DC é uma cidade moderna, caracterizada por possuir monumentos e grandes áreas verdes. Possui, porém, uma diferenciação de escalas que permite aos habitantes se ambientarem e se adaptarem.

Amanda conta ainda que, em sua busca por explicações sobre as diferença entre essas duas cidades no sentido do amar, um amigo lhe mostrou de forma um tanto pragmática que as relações em cidades como Nova York e Los Angeles podem simplesmente acabar em uma estação de metrô, pois diante de tantas opções ali, dificilmente alguém estaria disposto a investir em uma relação pela qual se deveria percorrer maiores distâncias por meio do mesmo metrô.

(Washington DC) (Los Angeles)

Amanda chegou à conclusão de que Los Angeles é uma cidade para solitários, enquanto Washington DC seria uma cidade para aninhadores. E, para reforçar o que foi dito aqui anteriormente, vale trazer uma citação feita por ela, em outras palavras: A questão não está em como as pessoas jogam o jogo, mas consiste em como estão espalhadas pelos tabuleiros.

Mas nem tudo está perdido. O nova-iorquino Robert Hammond, cofundador da famosa High Line, um parque de Nova York, conta em uma de suas palestras que esse espaço idealizado por ele é um exemplo de como os espaços urbanos podem modificar as relações das pessoas e seu modo de experienciá-las. Afinal, de modo raro, a mágica High Line faz com que apareçam pessoas andando de mãos dadas, o que não parece ser algo comum em Nova York.

O que diferencia a High Line dos demais espaços públicos de Nova York? Materiais, formas, tamanho, densidade? O mais importante é que houve ali um desejo de recriação, de participação e de identificação. E o amor aplicado ao seu projeto refletiu-se nas pessoas, de forma significante.

Uma cidade que motiva o amor talvez seja aquela que se permite ser amada, usufruída, utilizada.

E a sua cidade, ela propicia encontros? Encoraja o amor?

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Fontes:

https://www.citylab.com/design/2012/06/your-city-keeping-you-single/2417/

https://www.archdaily.com/331816/how-our-cities-keep-us-single-and-why-that-has-to-change

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